Quase invisível aos olhos de quem passa, o rato-de-água (Arvicola sapidus) é um dos mais importantes indicadores da saúde das linhas de água em Portugal. Adaptado à vida semiaquática, este pequeno mamífero lembra-nos que proteger a biodiversidade começa muitas vezes nos lugares mais silenciosos.
O rato-de-água é um roedor discreto, mas que desempenha funções essenciais nas margens de rios, ribeiras, charcos e açudes. A sua presença influencia a estrutura da vegetação, contribui para a criação de microhabitats e integra de forma significativa a cadeia alimentar, servindo de presa a lontras e aves de rapina.
É exclusivo da Península Ibérica e do sul de França, sendo conhecido pela sua capacidade de adaptação a diversos tipos de zonas húmidas, desde zonas costeiras baixas até regiões montanhosas de grande altitude. Em Portugal, distribui-se sobretudo ao longo de linhas de água permanentes ou semipermanentes, desde charcos e valas agrícolas até ribeiras e zonas alagadas. A sua presença contribui para a manutenção do mosaico ecológico das margens. Ao alimentar-se de vegetação hidrófila e herbáceas, regula o crescimento de plantas dominantes e favorece a diversidade estrutural.





