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Eliomys quercinus: um roedor com uma queda pelo Zorro

Entre leirão, rato-dos-pomares, rato-mascarilha e arganaz-do-jardim, o leque de designações para o Eliomys quercinus é variado.

Este pequeno roedor discreto, pertencente à família Gliridae, é o único representante da mesma em Portugal. Considerado um dos mamíferos mais carismáticos da fauna europeia, é facilmente reconhecido pela sua inconfundível “máscara” negra ao estilo do Zorro, que se estende dos olhos às orelhas, bem como pela sua longa cauda que, apresenta na extremidade, um característico “pincel” de pelos brancos.

O seu corpo mede geralmente entre 10 e 17 centímetros, aos quais se junta uma cauda com cerca de 8 a 14 centímetros. Apresenta uma pelagem cinzenta-acastanhada no dorso e branca na região ventral, uns grandes olhos negros e orelhas relativamente grandes,  de extremidades arredondadas.

De hábitos predominantemente noturnos, o rato-dos-pomares passa grande parte do dia abrigado em cavidades de árvores, fendas entre rochas ou até em ninhos abandonados, tornando-se ativo ao cair da noite. Graças às suas garras e à apurada capacidade de equilíbrio, revela-se um excelente trepador e apresenta, geralmente, um comportamento solitário, exceto durante a época reprodutiva.

À mesa, um oportunista alimentar de dieta eclética

Embora seja um roedor, o rato-mascarilha é um verdadeiro oportunista alimentar. O seu cardápio é bastante diversificado, podendo incluir frutos, sementes, bagas e flores, mas também insetos e outros pequenos invertebrados. Ocasionalmente, quando a fome aperta, pode inclusive consumir ovos ou crias de aves – esta componente animal da sua alimentação torna-o mais carnívoro do que muitos outros roedores.

A sua reprodução ocorre geralmente entre a primavera e o verão. Após um período de gestação de aproximadamente três semanas, nascem, por norma, entre duas e sete crias, que chegam ao mundo cegas e sem pelo, tornando-se, contudo, independentes ao fim de algumas semanas.

Durante a outra metade do ano, como estratégia de sobrevivência nos períodos mais frios e com menor disponibilidade de alimento, pode entrar em hibernação durante vários meses, reduzindo drasticamente o ritmo cardíaco e a temperatura corporal.

Trata-se, assim, de uma espécie generalista, capaz de ocupar uma grande variedade de habitats, desde zonas rochosas com vegetação escassa até florestas de pinheiro, montados, carvalhais e matagais mediterrânicos. Pode ainda ser encontrado em ambientes humanizados, como construções rurais, hortas, jardins e pomares – característica que está na origem de alguns dos seus nomes comuns.

Um enigma com parca representação na fauna portuguesa

Distribuído principalmente pela Europa Ocidental e Central, o leirão apresenta, em Portugal Continental, uma distribuição bastante descontínua e fragmentada. Os registos conhecidos revelam populações localizadas no Centro e Norte do país, no interior do Baixo Alentejo, no Leste algarvio e em áreas protegidas, como o Parque Nacional da Peneda-Gerês, o Parque Natural da Serra de São Mamede e o Parque Natural do Vale do Guadiana.

A sua presença reduzida no território nacional sugere a existência de populações pequenas e isoladas, como a registada, por exemplo, na região de Mértola.

Apesar de estar classificado em Portugal como uma espécie Pouco Preocupante (LC), o Eliomys quercinus tem sofrido um declínio em várias regiões da Europa. A perda e a fragmentação dos habitats naturais e as alterações climáticas constituem algumas das principais ameaças à sua conservação, tornando essencial a monitorização das suas populações.

Pequeno, misterioso e com um aspeto que lembra uma mistura entre um rato, um esquilo e um guaxinim, o leirão continua a ser um dos habitantes mais enigmáticos da fauna portuguesa, revelando-se apenas aos que têm a sorte de cruzar caminho com ele durante as horas silenciosas da noite.

Sabias que…

– A cauda do leirão pode funcionar como um mecanismo de defesa. Quando capturado por um predador, a pele pode desprender-se, facilitando assim a fuga do animal.

– O seu nome científico, quercinus, deriva do latim quercus (carvalho), refletindo a sua associação histórica a habitats florestais dominados por estas árvores.

  • Leirão

    Eliomys quercinus

  • Animal

  • Género

    Eliomys

  • Família

    Gliridae

  • HABITAT

    Ocorre em habitats variados, de zonas rochosas e matagais a florestas e montados, incluindo áreas humanizadas como pomares, hortas e jardins. De dia refugia-se em cavidades, fendas rochosas ou ninhos abandonados.

  • DISTRIBUIÇÃO

    Está distribuído sobretudo pela Europa Ocidental e Central. Em Portugal, ocorre de forma fragmentada no norte e centro, no interior do Baixo Alentejo e do Algarve, incluindo áreas protegidas como a Peneda-Gerês, São Mamede e Vale do Guadiana.

  • ESTADO DE CONSERVAÇÃO

    Quase ameaçado (NT) em Portugal.

  • ALTURA / COMPRIMENTO

    Entre 10 e 17 centímetros de corpo, aos quais se somam cerca de 8 a 14 centímetros de cauda.

  • LONGEVIDADE

    Em média, entre 3 e 5 anos.

Como protegemos a espécie?

A proteção do rato-dos-pomares (Eliomys quercinus) passa essencialmente pela preservação do seu habitat e pela adoção de práticas florestais sustentáveis. Como as populações da espécie se encontram em declínio em grande parte da Europa, a sua conservação requer medidas de coabitação e respeito pelos equilíbrios ecológicos.

As principais linhas de ação passam por preservar os seus abrigos naturais, evitando a destruição de muros de pedra, sebes, amontoados de ramos e árvores antigas ou ocas. Estes locais são vitais para a construção de ninhos e para o repouso durante a hibernação (inverno) e estivação (verão).

Nas áreas administradas pela The Navigator Company, são definidas zonas com interesse para a conservação que são geridas de forma a manter ou melhorar os habitats onde esta espécie se encontra. Este tipo de gestão garante que existem condições de alimentação, refúgio e reprodução, podendo funcionar como corredores ecológicos, que facilitam a dispersão natural e o intercâmbio genético entre populações.

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