Entre matagais e bosques de sobreiros e carvalhos, cresce uma urze pouco comum: mais alta, mais robusta e cheia de história. A urze-branca é um exemplo notável de adaptação e resiliência da flora portuguesa.
A urze-branca é uma das espécies mais emblemáticas dos nossos matagais mediterrânicos. Cientificamente conhecida como Erica arborea, apresenta-se sob a forma de um arbusto robusto ou de uma pequena árvore que, em condições favoráveis, ultrapassa facilmente os 2 metros de altura, podendo atingir cerca de 7 metros e o tronco 40 centímetros de diâmetro. Um porte considerável dentro do género Erica. Este fenómeno de crescimento pode acontecer em regiões montanhosas, como na ilha da Madeira, onde os recursos hídricos são abundantes.
A planta surge espontaneamente em solos pobres, ácidos e bem drenados, sendo frequente em matagais, encostas e nas orlas de bosques dominados por sobreiros e carvalhos. A sua adaptação a ambientes exigentes, aliados a um clima mediterrânico, revela uma notável resistência à seca e à escassez de nutrientes.
Apresenta ramos curtos e densos, com tonalidade acinzentada ou quase negra, enquanto os caules se encontram recobertos por pelos finos e lanosos. As folhas são estreitas, pequenas, persistentes e de um verde intenso. Possuem uma margem enrolada de tal forma que quase não se consegue ver o seu interior. Todas estas características a ajudam a reduzir a perda de água.
A floração ocorre, regra geral, entre o final do inverno e ao longo de toda a primavera. As flores em forma de campânula são brancas ou ligeiramente rosadas, dispostas em cachos. Estes cachos são perfumados e, por isso, muito atrativos para os insetos polinizadores, em especial as abelhas.
Esta forma ajuda a diferenciar a urze-branca (Erica arborea) de outra espécie parecida, a E. lusitanica, cujo estigma é mais pequeno.





