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Salamandra-de-pintas-amarelas: um pouco venenosa, mas tímida

A salamandra-de-pintas-amarelas (Salamandra salamandra) tem tanto de fotogénica como de tímida, saindo do seu abrigo apenas após anoitecer e durante a noite. As suas manchas amarelas, únicas e irrepetíveis, ajudam a identificá-la no seu habitat preferido: zonas montanhosas ou húmidas, como bosques com charcos e ribeiros.

De pele lisa, preta e lustrosa, marcada por manchas amarelas, por vezes com algumas pintas alaranjadas ou avermelhadas, de várias formas e tamanhos, tão únicas como as nossas impressões digitais, a salamandra-de-pintas-amarelas é uma obra de arte da natureza.

Todas estas pintas são bonitas, mas tóxicas, sobretudo para os animais que tentarem trincá-la ou comê-la, provocando vómitos violentos. Se a tocar, é imperativo que lave bem as mãos para evitar que a substância tóxica libertada entre em contacto com a boca e os olhos.

Esguia, uma salamandra-de-pintas-amarelas pode medir entre 15 e 20 centímetros. Da sua estrutura física destacam-se algumas características como a cabeça grande e achatada, com glândulas parótidas posicionadas atrás dos olhos negros e protuberantes. Metade do seu comprimento é constituído por cabeça e tronco, e a outra metade pela cauda cilíndrica. Os membros são curtos e fortes, com quatro dedos nas patas da frente e cinco nas patas de trás.

Como anfíbio terrestre que é, aprecia ambientes de montanha sem vento, com sombra, humidade e pluviosidade ao longo de todo o ano, e temperaturas entre os 4 ºC e os 14 ºC. Zonas húmidas, florestas temperadas, pinhais, eucaliptais, campos agrícolas e bosques com ribeiros e charcos são habitats perfeitos para a espécie, que aprecia proteger-se debaixo de troncos e pedras. Em zonas urbanas, pode ainda chamar casa a quintais e hortas. É aí que encontra a sua principal fonte de alimentação, composta sobretudo por invertebrados terrestres. Entre os principais predadores estão as cobras-de-água, as víboras e algumas espécies de ave.

No acasalamento, em terra, os machos depositam espermatóforos (cápsulas com espermatozoides), que são recolhidos pela fêmea através de uma abertura chamada cloaca onde ocorre a fecundação interna. A reprodução desenvolve-se no meio aquático — charcos, ribeiros e fontes — e inicia-se com a chegada das chuvas, entre setembro e maio, período durante o qual a fêmea deposita também as suas larvas.

Espécie ovovípara, a fêmea pare larvas desenvolvidas, entre 10 e 90 ovos, com caudas ainda curtas, de cor cinzenta ou castanha. Apenas após a metamorfose (dois a cinco meses após o nascimento) surge a coloração definitiva. Para se alimentarem, as larvas preferem insetos aquáticos, crustáceos, vermes e larvas de outros anfíbios. A maturidade sexual é atingida entre os três e quatro anos de idade.

Ocorre no Centro e Sul da Europa, na região eurosiberiana e nas cordilheiras do Mediterrâneo, em altitudes entre os 200 e os 2500 metros. Em Portugal, encontra-se um pouco por todo o país, desde o Parque Natural de Montesinho ao Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, mas sobretudo a Norte.

Sabia que…

  • Esta espécie é conhecida por vários nomes como salamandra-de-fogo, salamandra-comum, saramântiga e saramela.
  • Já que as manchas de cada salamandra-de-pintas-amarelas são únicas, os indivíduos podem ser facilmente diferenciados.
  • A descoberta de um fóssil em França trouxe a lume informações interessantes: a salamandra-de-pintas-amarelas já existia, como hoje a conhecemos, há cerca de 35 a 40 milhões de anos. Como os seus órgãos foram permineralizados (ou seja, a fossilização deu-se por meio de minerais dissolvidos em água que formaram um molde interno dos órgãos), é até possível saber qual terá sido a sua última refeição: um sapo, um almoço bastante incomum para a espécie. Este achado traz ainda uma outra pergunta: quer isto dizer que não houve evolução desta espécie ao longo de milhões de anos?
  • Estão descritas seis espécies diferentes do género Salamandra. A espécie Salamandra salamandra tem treze subespécies, estando nove presentes na Península Ibérica. A salamandra-lusitânica, apesar de também se encontrar presente em território nacional, não pertence ao mesmo género/espécie.
  • Salamandra-de-pintas-amarelas

    Salamandra salamandra

  • Anfíbio

  • Género

    Salamandra

  • Família

    Salamandridae

  • Habitat

    Zonas montanhosas, húmidas, com sombra e sem vento, com elevada precipitação durante todo o ano. Zonas circundantes de charcos e ribeiros, lameiros, prados, campos agrícolas, pinhais, eucaliptais, azinhais e sobreirais.

  • Distribuição

    Possui uma ampla distribuição no centro e sul da Europa. Em Portugal pode ser encontrada por todo o território continental.

  • Estado de Conservação

    “Pouco preocupante” (LC) segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal e “Vulnerável” (VU) segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

  • Comprimento

    Até 15-20 centímetros de comprimento.

  • Longevidade

    Entre 20 a 30 anos na Natureza.

Como protegemos a espécie?

Nas áreas florestais geridas pela The Navigator Company de norte a sul do país, a salamandra-de-pintas-amarelas é uma das 271 espécies de fauna identificadas e protegidas, no âmbito do compromisso da empresa com a conservação da biodiversidade. Espécie classificada como vulnerável a nível global, encontra em Portugal todos os elementos necessários para um habitat de elevada qualidade. Que é exatamente o que encontra na Quinta de São Francisco, onde esta espécie é extremamente abundante, sobretudo no vale e no carvalhal. Por vezes são avistadas várias dezenas de indivíduos de diferentes tamanhos, debaixo das folhas ou troncos caídos.

Trata-se de uma espécie com grande capacidade de adaptação, ocorrendo numa ampla variedade de ambientes, desde que exista coberto arbóreo. A ausência deste elemento é o principal fator limitante da sua presença, o que reforça a importância da gestão florestal sustentável para a sua conservação.

A The Navigator Company define e gere zonas com interesse para a conservação, assegurando a manutenção e melhoria dos habitats que oferecem condições adequadas de alimentação, refúgio e reprodução. Estas áreas podem também funcionar como corredores ecológicos, facilitando a dispersão natural das espécies e o intercâmbio genético entre diferentes populações.

Para cuidar de espécies com características semelhantes às da salamandra-de-pintas-amarelas, a empresa implementa ações concretas, como a criação de faixas de proteção dos cursos de água e charcas, onde as operações de gestão florestal impactantes estão proibidas ou condicionadas.

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