Em janeiro de 2026, a União Internacional para a Conservação da Natureza deu as primeiras notícias preocupantes do ano: 44 espécies foram consideradas extintas no ano anterior. Este resultado nasce de uma avaliação científica feita por peritos a nível global e incluída na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Deste grupo fazem parte animais, plantas e fungos.
Não é uma novidade: mamíferos, aves, invertebrados desaparecem todos os anos do nosso planeta, perdas consideradas “irreversíveis”. Coloquemos este valor em contexto: nos últimos cinco anos, 310 espécies foram consideradas extintas.
Em 2025 dissemos adeus ao maçarico-de-bico-fino (Numenius tenuirostris), que se encontra na imagem principal deste artigo. Ave migratória, invernante no Mediterrâneo, há muito que foi deixando de ser avistada a voar nos céus da Eurásia e do norte de África. A última vez que foi observada foi em 1995, em Marrocos. É a primeira espécie extinta conhecida de uma ave do continente europeu, do Norte de África e da Ásia Ocidental desde 1500.
Outras espécies engrossam esta lista. Por exemplo, o pequeno caracol marinho Conus lugubris, nativo da orla costeira de Cabo Verde, que, mesmo sendo potencialmente perigoso para os humanos devido à sua potente picada venenosa, é uma presença importante para esse aquele ecossistema marinho.
Mas isto é a ponta do icebergue. A estas espécies extintas juntam-se outras tantas que já se encontram em perigo iminente: das 172 620 espécies incluídas na Lista Vermelha da IUCN, 48 600 estão ameaçadas. Regista-se um declínio acentuado em vários grupos, nomeadamente nas cicadáceas (71%), nos corais (44%), nos anfíbios (41%) e nos tubarões e raias (38%). Em Portugal, o declínio das populações de aves atinge os 61% – valor que não ultrapassava os 44% há dez anos, segundo dados da SPEA.
As pressões que contribuem para este panorama estão identificadas: degradação ou perda de habitats, espécies invasoras, sobre-exploração, o surgimento de doenças ou a crise climática. Tenham estas interferências mão humana direta ou indireta, sabe-se que a nossa espécie é a maior responsável por este declínio, mas também a incumbida de travar maiores perdas.




