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Joaninha-de-sete-pintas: pequena, mas estrutural

Vermelho e com sete pintas pretas, este pequeno e adorável inseto é, na verdade, um predador implacável dos ecossistemas onde vive. Um aliado silencioso no controlo de pragas e um verdadeiro indicador de saúde ambiental.

Invisível durante o inverno, mas muito ativa na primavera, a joaninha-de-sete-pintas (Coccinella septempunctata) é um dos insetos mais reconhecíveis da Europa e também dos mais úteis. Por trás da sua adorável aparência, esconde-se um importante e essencial agente de controlo biológico natural.

Inseto da ordem Coleoptera, amplamente distribuído na Europa e comum em Portugal, a joaninha-de-sete-pintas é presença frequente em campos agrícolas, jardins, prados e zonas florestais.

Caracteriza-se por ter um corpo arredondado e uma cabeça negra com duas manchas amarelas nas laterais. Apresenta também um par de asas vermelhas, amarelas ou alaranjadas, com pintas pretas, que são endurecidas (chamadas de élitros) e que cobrem e protegem o abdómen. Os machos têm pelos finos no último segmento abdominal. Com as suas mandíbulas farpadas, desfazem rapidamente as suas presas.

Um ciclo de vida em quatro atos

A joaninha-de-sete-pintas possui um ciclo de reprodução sexual completo, passando por quatro fases: ovo, larva, pupa e adulto. É uma espécie muito fértil, com uma única fêmea capaz de colocar centenas de ovos durante a sua vida.

A época de reprodução começa no final da primavera e o acasalamento ocorre por cópula. As fêmeas libertam feromonas sexuais para atrair os machos e podem acasalar com múltiplos parceiros, o que aumenta a viabilidade dos ovos e o sucesso da descendência.

São colocados entre dez e cinquenta ovos amarelos por postura, depositados em pequenos grupos na parte inferior das folhas, próximo de colónias de pulgões (fonte de alimento). Após três a sete dias, os ovos eclodem.

As larvas recém-nascidas são pretas ou cinzentas com algumas manchas alaranjadas e estão cobertas de tubérculos. Apresentam menos de quatro milímetros e passam por quatro fases de desenvolvimento (instares) durante duas a três semanas, tornando-se predadoras vorazes.

Finda esta fase, a larva transforma-se em pupa, fixando-se a uma folha ou a um caule. Esta fase dura de cinco a doze dias. Já adulta, a joaninha emerge, inicialmente com cores pálidas, que escurecem e endurecem em poucas horas.

Pintas e toxinas que protegem

Existem diversas espécies de joaninhas, sendo a sua distinção feita a partir do número de pintas pretas que apresentam nas asas. A nossa Coccinella septempunctata tem sete, mas a sua parente Coccinella undecimpunctata ostenta 11. As suas cores vibrantes servem para desencorajar os ataques dos predadores, mas quando tal não é suficiente, libertam uma toxina pelas articulações das patas.

Com o tempo frio, entram em dormência. Abrigam-se sob casca de árvores, entre folhas secas ou em fendas que a possam proteger. O metabolismo abranda e o movimento quase desaparece. Esperam pelo aumento das temperaturas e, quando a primavera chega, despertam para um novo ciclo de atividade, reprodução e, sobretudo, alimentação.

Voraz predadora e aliada dos ecossistemas

A sua alimentação é maioritariamente composta por pulgões, pequenos insetos sugadores de seiva que podem causar danos significativos em plantas agrícolas, hortícolas e florestais. Contudo, também não recusa moscas da fruta, piolhos da folha, entre outros insetos associados a pragas. Um único indivíduo pode consumir dezenas de pulgões por dia. As larvas, menos “fotogénicas”, são igualmente vorazes.

Este comportamento traduz-se num serviço ecossistémico essencial: o controlo biológico natural. Ao regularem populações de pragas, as joaninhas contribuem para reduzir a necessidade de pesticidas químicos e ajudam a manter o equilíbrio entre espécies.

Como sublinha João Ezequiel, engenheiro florestal na The Navigator Company, mentora do projeto Biodiversidade, o controlo biológico também é uma das estratégias aplicadas na gestão de pragas e doenças florestais nas propriedades da empresa. Trabalhar com os mecanismos naturais – e não contra eles – é muitas vezes a solução mais inteligente e sustentável.

A presença de joaninhas num território é frequentemente interpretada como um indicador de saúde ambiental. Onde há diversidade de insetos predadores, há cadeias alimentares ativas, há plantas a prosperar e há equilíbrio funcional, com menor probabilidade de explosões populacionais descontroladas.

A joaninha-de-sete-pintas lembra-nos que a biodiversidade não é apenas diversidade de espécies, é rede, função e regulação. Pequena no tamanho, gigante na sua função estrutural.

Sabia que…

  • Apenas uma joaninha ao longo da sua vida pode devorar até 5000 pulgões
  • É considerada por muitos um símbolo de sorte, amor, felicidade, proteção, harmonia e equilíbrio.
  • Durante os meses mais frios, protagonizam um fenómeno de agregação (induzido por feromonas de agregação) que as leva a aglutinarem-se em locais abrigados, onde hibernam. As que não entram nesse estado migram para locais mais quentes, em busca de abrigo.
  • As joaninhas também contribuem para a polinização de algumas plantas, embora em menor escala do que as abelhas ou as borboletas.
  • Joaninha-de-sete-pintas

    Coccinella septempunctata

  • Insetos

  • Género

    Coccinella

  • Família

    Coccinellidae

  • Habitat

    Ocorre em vegetação herbácea, arbustiva ou arbórea rica em pulgões (afídeos) ou outras pragas de homópteros.

  • Distribuição

    Espécie originária da Europa e da Ásia, distribuída por todo o território de Portugal continental.

  • Estado de Conservação

    Sem informação

  • Comprimento

    Entre 5,5 e 8 milímetros

  • Longevidade

    Varia geralmente entre 1 a 2 anos na fase adulta, dependendo fortemente da capacidade de ultrapassar o inverno.

Como protegemos a espécie?

A joaninha-de-sete-pintas é especialmente sensível ao ecossistema que a rodeia. Evitar o uso indiscriminado de pesticidas em jardins e hortas, promover diversidade vegetal e preservar zonas de abrigo natural são medidas simples que favorecem populações de predadores naturais como a joaninha.

Nas propriedades da The Navigator Company…

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