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Mamíferos

Corço: o menor cervídeo de Portugal e da Europa

Pertencente à família Cervidae, o corço (Capreolus capreolus) é o menor dos cervídeos europeus e um dos habitantes das propriedades sob gestão florestal responsável da The Navigator Company, sobretudo na zona da Malcata, Pampilhosa, Góis, Mogadouro e Zambujo. Entre tudo o que o caracteriza, destacamos a particularidade de, no final do cio e com a diminuição da territorialidade, os machos começarem a perder as suas hastes e a ficar mais tolerantes entre si, formando assim grupos.

 O corço pode ser o mais pequeno da sua espécie, mas é também dos mais elegantes. Com um comprimento que pode ir até aos 1,35 metros e uma altura entre os 63 e os 67 centímetros, o seu peso varia entre os 15 a 35 quilos. Estatura esta que é alimentada por centenas de espécies de diferentes plantas, das raízes às flores, tais como rebentos de espécies arbustivas e arbóreas, como castanheiros, carvalhos, salgueiros e loureiros, bagas e outros frutos de plantas lenhosas, herbáceas, flores e, por vezes, fungos. Por tudo isto, é considerado um herbívoro generalista que varia a sua alimentação de acordo com as estações do ano.

No inverno, por exemplo, a sua dieta torna-se menos variada por escassez de alimento e por isso, em compensação, o corço aumenta o consumo de sementes e frutos por ser uma matéria vegetal mais concentrada. Para ter acesso a este tipo de alimentos, a espécie Capreolus capreolus habita em bosques de folhosas, coníferas, florestas mediterrâneas e campos agrícolas, aparecendo também em eucaliptais, vivendo em média oito a nove anos, apesar de as fêmeas terem maior esperança de vida.

Fisicamente, os seus membros posteriores são mais alargados e elevados em comparação aos anteriores, tornando-se bastante hábil a dar grandes saltos. Uma das principais características distintivas do género é a presença de hastes no macho, renovadas todos os anos, além da forma do escudo anal branco que contorna a cauda e que tem a forma de um rim, enquanto nas fêmeas faz lembrar um coração invertido.

Já a muda do pelo acontece ao longo do ano, em duas épocas distintas: no Inverno varia de castanho-acinzentado, sendo os pelos mais grossos e compridos, enquanto no verão os pelos curtos e finos ganham a cor castanho-avermelhado.

Vejamos agora como se processa a reprodução da espécie, sendo no final do Verão (entre julho e agosto) que é iniciado o ritual de acasalamento.

Tendo a capacidade de parir entre uma a três crias, por norma no final de maio ou no início de junho, a gravidez dura 10 meses e não 7 como é comum nos restantes cervídeos. O motivo é algo realmente impressionante e demonstrador do quão a natureza é sábia. Assim, para fazer coincidir os nascimentos no início do verão, quando há mais alimento disponível, estas fêmeas têm a capacidade única de fazer uma “gestação suspensa”. Ou seja, o embrião fica “adormecido” durante cerca de 5 meses, até que em janeiro começa o “real” desenvolvimento embrionário, que se prolonga por cerca de mais 4 meses.

Contudo, dado que a mortalidade infantil é particularmente elevada no primeiro ano de vida, as crias de corça mantêm-se com a mãe, escondidas na vegetação na maior parte do tempo a aguardar pelos momentos de amamentação e de limpeza, até deixarem de estar dependentes do leite materno e ficarem prontas a enfrentar o mundo sozinhas. Assim sendo, se encontrar uma cria sozinha, não lhe deve tocar ou tentar movê-la, pois a mãe anda por perto.

Sabia que…

 Por ser uma importante espécie de presa para carnívoros como o lobo-ibérico e a raposa (na predação das crias), e também cães assilvestrados, o corço tem um papel relevante na manutenção dos ecossistemas saudáveis.

Em Portugal, de acordo com o Livro Vermelho dos mamíferos (2023) o estatuto de conservação do corço é Pouco Preocupante (LC) e isso tem uma explicação. É que embora a população estimada conte com menos de 10.000 indivíduos em fase adulta, desde meados do séc. XX que há uma tendência de expansão da espécie, muito devido à dispersão natural a partir das serras do Norte e de Espanha, além dos projetos de reintrodução e de conservação da espécie. Isto deixa-nos obviamente ainda mais motivados para a sua preservação nas propriedades geridas pela Navigator.

Como cuidamos desta espécie?

​Quando se trata dos cuidados a ter com o Capreolus capreolus, é importante começar por identificar os fatores de ameaça à sua expansão. Na sua maioria, são de natureza humana, tais como atropelamentos (embora de forma involuntária), turismo e atividades de natureza desordenada, a destruição e fragmentação do habitat e a ocorrência de cães assilvestrados, além das capturas ilegais.

Como espécie florestal, está abrangida pelas medidas de conservação da biodiversidade praticadas no património gerido pela Navigator, de que é exemplo o Zambujo. Inclui, portanto, a conservação dos seus habitats, assim como a sua recuperação, acompanhada da implementação, monitorização de mamíferos e valorização da espécie através da sensibilização e comunicação.

O projeto “Zambujo reCover – Projeto de requalificação florestal e proteção de solos” visa a implementação de uma ação de restauro ecológico numa área de 153 hectares, através da rearborização com espécies autóctones, com os objetivos de promover conservação de solos e a melhoria de habitats protegidos.

A intervenção decorre no Zambujo, uma propriedade florestal situada no concelho de Idanha-a-Nova, em pleno Parque Natural do Tejo Internacional e na Zona de Proteção Especial do Tejo Internacional, Erges e Pônsul, área classificada como Rede Natura 2000.

Promovida pela The Navigator Company em parceria com o RAIZ – Instituto de Investigação da Floresta e Papel, a iniciativa tem um orçamento global de 225 774,79 euros e é financiada pelo Programa COMPETE 2020 no âmbito da medida “Apoio à transição climática/Resiliência dos territórios face ao risco: Combate à desertificação através da rearborização e de ações que promovam o aumento da fixação de carbono e de nutrientes no solo” (REACT-EU/FEDER).

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O projeto “Zambujo reCover – Projeto de requalificação florestal e proteção de solos” visa a implementação de uma ação de restauro ecológico numa área de 153 hectares, através da rearborização com espécies autóctones, com os objetivos de promover conservação de solos e a melhoria de habitats protegidos.

A intervenção decorre no Zambujo, uma propriedade florestal situada no concelho de Idanha-a-Nova, em pleno Parque Natural do Tejo Internacional e na Zona de Proteção Especial do Tejo Internacional, Erges e Pônsul, área classificada como Rede Natura 2000.

Promovida pela The Navigator Company em parceria com o RAIZ – Instituto de Investigação da Floresta e Papel, a iniciativa tem um orçamento global de 225 774,79 euros e é financiada pelo Programa COMPETE 2020 no âmbito da medida “Apoio à transição climática/Resiliência dos territórios face ao risco: Combate à desertificação através da rearborização e de ações que promovam o aumento da fixação de carbono e de nutrientes no solo” (REACT-EU/FEDER).

  • MAMÍFERO

  • Corço

    Capreolus capreolus

  • Família

    Cervidae

  • Estatuto de conservação

    Pouco Preocupante (LC)

  • Habitat

    Ocorre em bosques e florestas variadas, matos mediterrânicos com áreas abertas, campos agrícolas e prados.

  • Distribuição

    Em Portugal, ocorre essencialmente a norte e a sul do rio Douro (na orla das áreas florestais em serras e parques naturais).

  • Altura

    63-67 cm

  • Comprimento

    95-135 cm

  • Peso

    15-35 kg

  • Longevidade

    8-9 anos

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